quinta-feira, 9 de maio de 2013

Vício e sofrimento: a história de Maria




Maria (nome fictício) é uma atendida da CPP. Ela é  Jovem, comunicativa e brincalhona, mas as cicatrizes do seu corpo denunciam uma história de vida que contrasta com seus olhos vivos e alegres. Na sexta-feira, dia 26 de maio, recebemos uma notícia que nos chocou : Maria levou um tiro no pescoço e estava no Hospital da Restauração.

CPP: O que aconteceu?
Maria: Eu tava sentada, fumando um negócio (crack)... Primeiro ele me chamou pra buscar um revólver, aí eu fui. No meio do caminho ele disse que não precisava mais, aí eu voltei, me sentei e continuei a fumar, quando eu me levantei e fui pra esquina e saí do beco com ele e mais dois, eles dois se aproximaram , o outro já veio por trás de mim  e deu logo o “bobó”, aí esse de branco já puxou o revólver. Aí eu gritei: pelo amor de Deus não me mata, não! Aí ele deu o primeiro tiro, foi na hora que eu virei e pegou no meu pescoço. Na minha cabeça gelou tudo, na hora. Eu fui pra cima dele, ele com o revolver na mão, querendo apertar, e eu com a mão empurrando ele, reagindo pra ele não apertar mais, senão ele teria me matado. Ele saiu correndo pra dentro do beco, aí eu peguei e saí correndo. Aí cheguei no Caboclinho (uma festa) e “arriei” no chão, as pernas ficaram fracas. Fiquei no chão sangrando até chegar alguém pra me ajudar. Passaram dois taxistas, pararam pra me ajudar e chamaram “os home” (policiais). Veio um carro de polícia, me colocaram no carro e me levaram pra UPA.

CPP: Por que isso aconteceu?
Maria:  Eu tava devendo só R$20,00 a ele. Eu devia R$100,00, paguei R$80,00 e na hora que fui pagar os R$20,00 ele não quis. Ele disse: eu n’ao quero receber mais não, depois você vai me pagar. Foi a hora que ele veio e “meteu bala” em mim. Mas só pegou um tiro, graças a Deus.

CPP: Já sofreu algum outro tipo de violência antes?
Maria: Já sofri estupro, foi na linha do trem, o cara enfiou uma estaca no meu pescoço, antes de acontecer isso comigo do tiro. Peguei 95 pontos de dentro pra fora. Só sobrevivi porque fingi que estava morta. Isso eu tinha uns 14 anos.

CPP: com quantos anos você começou a usar crack? Por que você acha que isso aconteceu?
Maria: Comecei a usar por causa das amizades, tava eu e mais cinco colegas, lá no Coque, as cinco usando e eu nunca tinha coragem de usar. Nesse dia minha mãe deu uma pisa em mim, eu tava toda rocha,tava “arretada” aí eu disse: eu vou experimentar isso aí!  Eu tô até hoje, hoje eu tenho 19 anos, desde os 11 anos que eu fumo Crack. E pra sair tem que ter muita ajuda, de um dia pro outro não sai não.

CPP: Qual o conselho que você daria para uma pessoa que está experimentando pela primeira vez?
Maria:  Não queira nem experimentar, a primeira vez é que vicia. Por isso que se chama pedrina do amor/fumou se apaixonou.