quinta-feira, 24 de outubro de 2013

Última vinheta da série Direito à Cidadania


Quando começamos a série Direito à Cidadania, há um ano atrás, acreditávamos que o país tratava com descaso a questão dos usuários de crack e o preconceito era um fator que contribuía para que essas pessoas continuassem na marginalização.
Recentemente o PLC 37, projeto em pauta no senado, altera a pena de usuários de drogas não fazendo mais destinção entre traficante e usuário, o fato nos mostrou que ainda temos um longo caminho a percorrer no que se refere à discurção sobre a problemática dos dependentes químicos no Brasil.
Ao longo da série Direito à Cidadania mostramos muitas histórias de abordagens violentas da polícia relatadas por dependentes químicos. Desta vez gostaríamos de mostrar que um outro tipo de abordagem da polícia é possível. 



quinta-feira, 9 de maio de 2013

Vício e sofrimento: a história de Maria




Maria (nome fictício) é uma atendida da CPP. Ela é  Jovem, comunicativa e brincalhona, mas as cicatrizes do seu corpo denunciam uma história de vida que contrasta com seus olhos vivos e alegres. Na sexta-feira, dia 26 de maio, recebemos uma notícia que nos chocou : Maria levou um tiro no pescoço e estava no Hospital da Restauração.

CPP: O que aconteceu?
Maria: Eu tava sentada, fumando um negócio (crack)... Primeiro ele me chamou pra buscar um revólver, aí eu fui. No meio do caminho ele disse que não precisava mais, aí eu voltei, me sentei e continuei a fumar, quando eu me levantei e fui pra esquina e saí do beco com ele e mais dois, eles dois se aproximaram , o outro já veio por trás de mim  e deu logo o “bobó”, aí esse de branco já puxou o revólver. Aí eu gritei: pelo amor de Deus não me mata, não! Aí ele deu o primeiro tiro, foi na hora que eu virei e pegou no meu pescoço. Na minha cabeça gelou tudo, na hora. Eu fui pra cima dele, ele com o revolver na mão, querendo apertar, e eu com a mão empurrando ele, reagindo pra ele não apertar mais, senão ele teria me matado. Ele saiu correndo pra dentro do beco, aí eu peguei e saí correndo. Aí cheguei no Caboclinho (uma festa) e “arriei” no chão, as pernas ficaram fracas. Fiquei no chão sangrando até chegar alguém pra me ajudar. Passaram dois taxistas, pararam pra me ajudar e chamaram “os home” (policiais). Veio um carro de polícia, me colocaram no carro e me levaram pra UPA.

CPP: Por que isso aconteceu?
Maria:  Eu tava devendo só R$20,00 a ele. Eu devia R$100,00, paguei R$80,00 e na hora que fui pagar os R$20,00 ele não quis. Ele disse: eu n’ao quero receber mais não, depois você vai me pagar. Foi a hora que ele veio e “meteu bala” em mim. Mas só pegou um tiro, graças a Deus.

CPP: Já sofreu algum outro tipo de violência antes?
Maria: Já sofri estupro, foi na linha do trem, o cara enfiou uma estaca no meu pescoço, antes de acontecer isso comigo do tiro. Peguei 95 pontos de dentro pra fora. Só sobrevivi porque fingi que estava morta. Isso eu tinha uns 14 anos.

CPP: com quantos anos você começou a usar crack? Por que você acha que isso aconteceu?
Maria: Comecei a usar por causa das amizades, tava eu e mais cinco colegas, lá no Coque, as cinco usando e eu nunca tinha coragem de usar. Nesse dia minha mãe deu uma pisa em mim, eu tava toda rocha,tava “arretada” aí eu disse: eu vou experimentar isso aí!  Eu tô até hoje, hoje eu tenho 19 anos, desde os 11 anos que eu fumo Crack. E pra sair tem que ter muita ajuda, de um dia pro outro não sai não.

CPP: Qual o conselho que você daria para uma pessoa que está experimentando pela primeira vez?
Maria:  Não queira nem experimentar, a primeira vez é que vicia. Por isso que se chama pedrina do amor/fumou se apaixonou.

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Depoimento de Edilson Luis de Lira sobre a CPP

 



No último dia 22, a CPP teve o prazer de receber a visita do vigilante Edilson Luis de Lira, Edilson foi atendido da instituição e esteve no Sítio Clarion para reencontrar os antigos amigos e trocar experiências com os meninos da CPP.


CPP-  O que você lembra daqui?
EDILSON- Ha, muitas coisas...  eu entrei aqui entre 94 e 95, fiquei até 2007...  Antes eu vivia nas ruas. Dormindo nas ruas, fazendo uso de vários tipos de drogas. Até que por indicação de pessoas que já tinham passado por aqui eu acabei conhecendo a CPP, Demetrius...

Foi através da CPP que eu consegui encontrar uma saída pra poder me libertar das drogas e da vida como menino de rua que eu vivia. Então aqui foi dado um passo importante da minha vida. Foi uma oportunidade que eu soube aproveitar, e foi através dessa passagem pela CPP que eu pude ter tempo para refletir sobre minha vida, a respeito daquilo que eu queria de bom pra mim, que era ser livre de tudo aquilo que me fazia mal

CPP- Como está sua vida hoje?
EDILSON- Atualmente eu estou casado, pai de família, tenho 3 filhos lindos, moro atualmente em São Paulo, laguei todo vício, tudo que fazia com que minha auto-estima ficasse lá embaixo. Hoje eu sou uma nova pessoa.

O conselho que eu dou hoje para os meninos que passam pelo processo difícil, pelo qual eu já passei, é que não desistam, que seja perseverantes, lutem. Eu sei que não é fácil, mas não é impossível.