sábado, 10 de novembro de 2012

Conheça o projeto Valores Humanos

Conheça o  Valores Humanos, projeto da CPP que está ajudando a melhorar  a qualidade de vida de crianças e adolescentes em situação de risco social, oferecendo atendimento básico, educação, gerando novas perspectivas de vida




segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Dia das Crianças é comemorado na CPP


Na última quinta-feira, dia 11 de outubro, o dia da criança foi comemorado em grande estilo no Casarão da CPP. Quem esteve presente pôde conferir a exibição de filmes de animação, aula de música para as crianças e apresentação do grupo de percussão da CPP. Para completar a festa a instituição recebeu a visita de um grupo de jovens alemães e todos comemoraram com uma grande ciranda.






sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Uma nova realidade para Andreas

VERSÃO EM ALEMÃO

Durch meine Arbeit bei der Comunidade dos Pequenos Profetas wurde mir eine neue Realität zuteil. Kinder und Jugendliche, die auf der Straße lachen und weinen, lieben und hassen, leben und sterben.

Der Mensch fragt hier nicht nur nach dem warum sondern möchte wissen, wer der Schuldige ist, in diesem Dasein aus Drogen, Gewalt und Prostitution. Der Staat? Die Gesellschaft? Die Familien? Freunde? Wer ist der Sündenbock, auf den wir die Schuld schieben können? Aber vielleicht tragen wir ja selbst etwas Mitschuld. Als Teil einer Gesellschaft, als Staatsbürger eines Landes, als Mensch?

Wir brauchen uns sicher nicht schuldig zu fühlen für das Elend das jedwedem Anderen widerfährt, aber wir tragen eine Verantwortung in uns, die uns dazu anhalten sollte, Menschen in Not zu helfen.

Schenken wir diesen von der Gesellschaft nicht Beachteten ein wenig Zuneigung, wechseln wir nicht die Straßenseite bei der nächsten Begegnung, sondern spenden wir ein paar freundliche Worte. Unterstützen wir die örtlichen Hilfsorganisationen. Spenden wir Zeit und wenn möglich auch ein wenig Geld damit sich die Situation der Betroffenen verändern kann, damit sie ein würdiges Leben außerhalb dieses Elends führen können. Tragen wir unseren Teil dazu bei, damit der Satz „Sie behandeln uns wie Tiere!“ seine Existenz verliert.













VERSÃO EM PORTUGUÊS

Por meu trabalho na Comunidade dos Pequenos Profetas eu encontrei uma nova realidade. Crianças e adolescentes, que riem e choram, amam e odeiam, vivem e morrem na rua.

Aqui o ser humano não somente pergunta o por quê, mas quer saber quem tem culpa por essa existência de drogas, violência e prostituição. O estado? A sociedade? As famílias? Amigos? Quem é o bode expiatório em quem podemos depositar a culpa? Talvez, porém, nós tenhamos um pouco de cumplicidade nisso. Como parte de uma sociedade, como cidadão de um país, como ser humano.

Não precisamos nos sentir culpados pela miséria que assola qualquer um, mas arquemos com uma responsabilidade que deve persistir em nós para ajudarmos pessoas com necessidade.

Ofereçamos a esses abandonados pela sociedade um pouco de carinho, não mudemos o lado da rua no próximo encontro com eles, mas digamos algumas palavras amigáveis. Apoiemos as organizações de ajuda local. Doemos tempo e, se possível, um pouco dinheiro para poder mudar a situação deles, para eles poderem levar uma vida digna fora dessa miséria. Contribuamos com nossa parte para que a frase “eles tratam-nos como bichos!” perca sua existência.

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Andreas Bauer

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

II LENAD - Levantamento Nacional de Álcool e Drogas

O Segundo Levantamento Nacional de Álcool e Drogas (II LENAD) é um estudo populacional sobre os padrões de uso de álcool, tabaco e drogas ilícitas na população brasileira. Dependência de álcool, tabaco, maconha e cocaína também foram avaliados bem como possíveis fatores de risco e/ou proteção para o desenvolvimento de abuso e/ou dependência. O estudo foi desenvolvido entre novembro de 2011 e abril de 2012 pelo INPAD/UNIAD da UNIFESP com a colaboração da Ipsos

Foi utilizada uma amostra representativa da população brasileira, estratificada com alocação proporcional à população de cada estado (estrato). As regiões metropolitanas e as capitais de cada estado entram certamente (com probabilidade igual a 1) na amostra, com um número de entrevistas proporcional a suas respectivas populações (baseadas no CENSO 2010). Dentro de cada estrato, nas regiões metropolitanas e nos demais municípios de cada estado, foram selecionadas amostras probabilísticas, de conglomerados em vários estágios.

Confira agora alguns pontos abordados pela pesquida:




Caso queira conferir toda ela, clique aqui.

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Fonte: LENAD

terça-feira, 28 de agosto de 2012

As dificuldades e os prazeres da troca de conhecimentos pedagógicos no CPP



Antes se falava em ensino, hoje descobrimos que a troca e transmissão do conhecimento acontecem, quando todos querem e constroem juntos, e isso na comunidade dos pequenos profetas é muito prazeroso, pois as dificuldades são muitas, começando pela falta de motivação que a Droga e a Rua proporcionam aos nossos meninos, porém quando ganhamos pequenas batalhas o prazer é bem maior, é uma vitória a ser comemorada com muita alegria, quando percebemos que eles construíram em si noções de cidadania, higiene pessoal e a melhoria da qualidade de vida. É um trabalho árduo, mas vale todo o esforço, quando percebemos que estamos ajudando na construção de futuros cidadãos de bem, conhecedores de seus direitos e deveres. 

A equipe pedagógica do casarão se reúne, toda segunda-feira, um momento que discutimos e analisamos como foi a semana que passou, planejamos a semana seguinte, discutimos também em nosso estudo de caso, o menino na sua individualidade, respeitando sua história de vida e dando direcionamento para suas dificuldades no projeto. Enfim procuramos fazer com que a educação possa ser uma grande provocadora do pensamento crítico e filosófico através das atividades oferecidas no nosso dia a dia que vão desde a limpeza do casarão até a participação ativa deles na Assembléia, que é o momento de reflexão de seus direitos e deveres.

E é assim, com muita alegria e satisfação que conto um pouco de minha experiência de fazer parte da grande família que é a Comunidade dos Pequenos Profetas.

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Tatiana Basílio é Pedagoga e Coordenadora na CPP

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Projeto Valores da Vida

A CPP acredita que há maneiras de se reiniciar e inventar novas formas, do beneficiário, através de contato com a sociedade, de momentos de criação, ação, desenvolvimentos, tomadas de decisões, novos relacionamentos, amizades e responsabilidade. Enfim, o trabalho desenvolvido no Sítio Clarion é a ruptura do processo de "negatividade" em que a própria sociedade colocou os jovens e adolescentes que hoje se encontram em risco social, possibilitando aos mesmos, a construção do processo de vida enquanto o viver com a saúde interior, com a capacidade de ter experiências culturais diversas, e principalmente, através das oficinas vislumbrarem a inclusão no mercado de trabalho, resgatando a cidadania e auto-estima de cada um dos atendidos. 

Conheça mais dessa experiência desenvolvida pela CPP acessando o video abaixo.


quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Sonhar é para todos

Assista o VT institucional feito pela agência Arcos Comunicação, parte da campanha Sonhar é para Todos.



quinta-feira, 9 de agosto de 2012

A Roda de Leitura e sua contribuição na efetivação da cidadania


Foto: Daniel Barros

A roda de leitura é uma atividade que integra o indivíduo que carrega dentro de si um mundo de vivências que o particularizam e fazem com que sua percepção de um texto adquira um colorido determinado.

O objetivo da roda de leitura é despertar o prazer e o interesse pela leitura, tendo na oralidade e na interação coletiva sobre o texto e sua amplitude fatores importantes na ampliação da visão de si mesmo e do mundo pelo compartilhamento da leitura.

Além de estimular a prática da leitura, a atividade visa oportunizar aos participantes contato com textos que tratam de diversos temas: violência, racismo, sexualidade, drogas, inclusão social e cultura afro brasileira.

Ao término de cada leitura, o leitor-guia inicia um diálogo com participantes sobre o texto lido, estabelecendo entre o leitor e o texto uma relação com o cotidiano. O conteúdo das conversas é delineado pelos leitores, seguindo questionamentos relativos ao texto, objetivando o estímulo da imaginação, do raciocínio e da percepção individual sobre o que foi trabalhado. Sugere- se que os participantes registrem o momento através de depoimentos ou de uma reflexão sobre o tema lido.

Ao final de todo o trabalho que damos como positivo, conseguimos envolver os beneficiados para minimizar os conflitos vivenciados no cotidiano e pôr em prática alguns dos temas discutidos , resgatando atitudes de cooperação, participação, responsabilidade, auto-estima, respeito e comportamento.

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Cláudia Maria é Educadora Social da CPP e Contadora de historia

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Um dia na praia do Pina


No dia 21 de Julho (quinta-feira) atendidos e educadores do Casarão da Avenida Sul realizaram uma atividade externa, que já era bastante aguardada pelos meninos e meninas da CPP, um passeio na praia. O grupo se reuniu na praia do Pina, onde passaram a manhã jogando bola, tomando banho de sol e saboreando picolé. 

quarta-feira, 25 de julho de 2012

Entrevista com Ronaldo Laranjeira


Um dos principais especialistas em dependência química no Brasil fala ao Infosurhoy.com sobre como combater as drogas no país.
Por Cristine Pires para Infosurhoy.com – 20/07/2012

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Ronaldo Laranjeira














“O Brasil precisa enfrentar esta enorme rede de distribuição que, combinada com o preço baixo da cocaína e do crack, fruto do fato de termos vizinhos produtores, alimenta a pandemia [de drogas]”, diz o psiquiatra Ronaldo Laranjeira. (Guilherme Gomes para Infosurhoy.com)

PORTO ALEGRE, Brasil – Para vencer a luta contra as drogas, o Brasil tem investido bilhões de reais em iniciativas para prevenção e tratamento aos dependentes químicos no país.

O foco central é o crack, considerado por autoridades e especialistas um grave problema de segurança e de saúde pública.

Entre as medidas adotadas pelo governo brasileiro está o Plano Nacional de Combate ao Crack, lançado em 2011 e que prevê investimentos de cerca de R$ 4 bilhões em ações de enfrentamento ao crack até 2014.

A meta é que os recursos sejam aplicados em prevenção, tratamento e repressão ao crime organizado.

Para o psiquiatra Ronaldo Laranjeira, um dos fundadores da Unidade de Pesquisa em Álcool e Drogas (UNIAD), é preciso atualizar as políticas públicas nacionais voltadas ao tratamento e prevenção do uso de crack e outras drogas.

Em funcionamento desde 1994, a UNIAD é um centro de excelência em ensino, pesquisa, prevenção e tratamento do uso indevido de álcool, tabaco e outras drogas.

“O primeiro passo é criar uma gestão diplomática entre os países vizinhos para reduzir a produção de drogas”, afirma Laranjeira, que também é professor titular do Departamento de Psiquiatria da Unifesp, diretor do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia para Políticas Públicas do Álcool e outras Drogas (INPAD) do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

Considerado um dos principais especialistas em dependência química do Brasil, Laranjeira falou com exclusividade ao Inforsuhoy.com sobre a importância de envolver todo o país na luta contra a pandemia de crack.

Infosurhoy: Qual a sua avaliação sobre o Plano Nacional de Combate ao Crack?

Laranjeira: Na verdade, o Brasil ainda não se deu conta da gravidade da situação. Tanto que não temos uma gestão diplomática no sentido de diminuir a produção de drogas nos países vizinhos. O Brasil faz fronteira com os maiores produtores de cocaína: Bolívia, Peru e Colômbia. Cerca de 80% da cocaína consumida no país vem da Bolívia, onde a produção continua crescendo. Reduzir a produção nesses países é fundamental..

Infosurhoy: O caminho de entrada da droga no país é praticamente o mesmo ao longo da última década. Por que então o problema se agravou?

Laranjeira: Nos últimos 10 anos, o Brasil registrou um aumento estrondoso no número de pontos de vendas de drogas. Há uma década, o fenômeno estava restrito às grandes cidades. Hoje, verificamos isso de norte a sul, leste a oeste. Todos os municípios brasileiros estão infestados com pontos de tráfico. O Brasil precisa enfrentar esta enorme rede de distribuição que, combinada com o preço baixo da cocaína e do crack, fruto do fato de termos vizinhos produtores, alimenta a pandemia que temos. Se não fizermos uma política rigorosa de conter importação e a rede distribuição, os problemas vão continuar.

Infosurhoy: Mas o sistema de tratamento é eficaz?

Laranjeira: Não adianta ter apenas um sistema de tratamento para diminuir o consumo de crack. Não podemos contar com um monte de boas intenções genéricas. Desde que o governo federal anunciou o plano, em 2010, até agora, pouca coisa mudou. Muitos estados ainda não receberam as verbas prometidas. É preciso levar em conta o aspecto macro do problema: produção, distribuição e baixo preço.

Infosurhoy: Qual sua sugestão então?

Laranjeira: O Brasil tem que definir estratégias para lidar com esses problemas. Os consultórios de rua também não apresentaram eficácia. Quantas pessoas foram tiradas da rua por essa sistemática? Não se tem um número nem mesmo uma avaliação da efetividade dos consultórios de rua. Outro ponto que precisa ser revisto é o fato de o governo defender que as internações dos dependentes químicos sejam feitas em hospitais gerais. Acho isso um absurdo. A maioria dos hospitais não vai querer receber um usuário de crack, e leitos isolados também não vão adiantar. Precisamos ter hospitais especializados.

Infosurhoy: E como trabalhar na prevenção?

Laranjeira: O Brasil teria que criar uma rede de prevenção mais efetiva, com um programa que ainda não temos, voltado principalmente aos grupos de risco. E, quanto a grupos de risco, me refiro a adolescentes que abandonam escola, vão mal nos estudos ou começaram a experimentar drogas. A maioria dos usuários de drogas, cerca de 90%, começa a experimentar na adolescência.

Infosurhoy: A estratégia da redução de danos é uma alternativa?

Laranjeira: A redução de danos consiste em oferecer uma outra droga, teoricamente menos prejudicial, com o objetivo de evitar a abstinência. Alguns países que adotaram esse sistema abandonaram a metodologia nos últimos dois anos. Na Inglaterra, por exemplo, eles descobriram que a eficácia da redução de danos foi de apenas 4%. Quando eles viram que investiram milhões e tinha dado um retorno tão baixo para sociedade, abandonaram o conceito e agora a abstinência é o foco do tratamento. Então, no caso do crack, sou desfavorável à proposta do Ministério da Saúde de fazer tratamento baseado em redução de danos como única alternativa.

Infosurhoy: Qual a alternativa então?

Laranjeira: Nas casas assistidas, programa em São Paulo, os dependentes químicos não podem usar drogas. Além da moradia, eles têm direito a todo o tratamento, mas para ter direito a tudo isso é preciso que fiquem abstinentes. Se em uma casa dessas há 10 usuários e um deles usa a droga, é mais provável que aquele que recaiu leve os outros 9 com ele. Isso mostra o drama que é o uso do crack.

Infosurhoy: Mas então é possível recuperar usuários?

Laranjeira: Certamente. O Ministério da Saúde precisa oferecer uma estrutura de tratamento via clínicas de internação. O Sistema Único de Saúde (SUS) não tem esse nível assistencial. Por enquanto, só quem tem dinheiro procura uma clínica de qualidade. O Ministério da Saúde precisa ter a visão do que realmente funciona no sistema de tratamento e abandonar técnicas ultrapassadas. Além da falta de experiência conceitual, a burocracia impede o dinheiro do programa de chegar aos locais que necessitam dessas verbas.

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Fonte: Blog Dependência Química (Clique aqui para conferir a matéria no site)

quinta-feira, 19 de julho de 2012

Das ruas para a vida

Mateus e Carlos André (Galeguinho)














Quando criança tinha 6 anos de idade e morava em Casa Amarela (Região Metropolitana do Recife), fui com a minha mãe fazer feira, foi quando me perdi. Então, eu peguei um ônibus e fui parar no centro do Recife, onde encontrei outros meninos e me juntei com eles. A partir desse dia me tornei menino de rua.

Comecei a cheirar cola e praticar mendicância. Aos 12 anos encontrei Demetrius, que estava fazendo trabalhos nas ruas do Recife com outros meninos e meninas. Após isso fui encaminhado para o Sitio Clarion da Comunidade dos Pequenos Profetas em Igarassu.

Chegando no sitio, aos poucos fui deixando as drogas e logo depois comecei a estudar e participar das atividades agrícolas da CPP. Aos poucos fui mostrando meu interesse em mudar de vida, foi quando a CPP fez contato com a minha família. A partir desse contato fiquei indo passar os finais de semana com a minha família e aos 18 anos tive que deixar a CPP por conta da idade.

Então passei a morar com a minha avó e continuei estudando e mantendo contato com a CPP, foi quando tive uma oportunidade de trabalhar lá, e a partir dessa oportunidade fui construindo um sonho de ter uma família.

Hoje, aos 34 anos, tenho orgulho de falar para todas as pessoas que já fui menino de rua e com a ajuda das pessoas que fizeram parte da CPP estou muito agradecido por terem me dado uma oportunidade de mudar de vida.

Essa é uma história de vida que aconteceu comigo e gostaria que todos os  meninos e meninas de rua soubessem que também são capazes de mudar assim como eu.

Com muita força de vontade qualquer pessoa pode mudar de vida, é só querer!

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Carlos André B. de Moura é educador da CPP

terça-feira, 17 de julho de 2012

segunda-feira, 9 de julho de 2012

Verdades que não passam | 001

Estamos aqui iniciando uma série de posts com o tema "Verdades que não passam" focando a ideia de que na publicidade, apesar de que as campanhas usadas aqui tenham passado há algum tempo, a verdade contida nelas é de extrema importância, logo, "não passam".



















"Só existe um caminho para quem usa crack"
Agência: Africa

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Diego de Paula é publicitário e educador da CPP

quarta-feira, 4 de julho de 2012

Não matem minhas crianças (por Demetrius Demetrio)

Não matem minhas crianças















No final da década de 1980, a Comunidade dos Pequenos Profetas, espalhou pelos muros da Cidade do Recife a frase “Não Matem minhas crianças”, com o intuito de conter os extermínios ocorridos na cidade contra as crianças e adolescentes em situação de risco social.

Por mais que essa frase tenha mexido com o imaginário das pessoas, ela rompeu barreiras e despertou ações tanto a nível local, nacional e internacional, na luta da garantia dos direitos essenciais da pessoa humana.

Hoje o crescimento econômico de Pernambuco, por mais importante que possa ser, é absolutamente insuficiente para se acabar com a gravidade da situação de miséria de grande parte dos pernambucanos.

A realidade social torna-se mais perversa no drama da miséria humana; novos desafios vão surgindo para o público invisível do poder público: O crack que tanto tem sido manchete nos jornais, TV aberta e radio, destruindo sentimentos e valores.

Para os consumidores dessa pedra mágica (forma menos pura da cocaína), os segundos vão consumindo seus sonhos, sua vontade de viver, muitos relatam que ele é como o primeiro beijo, deu se apaixonou e se viu dentro dessa paixão, vendendo o seu próprio corpo por tão pouco, praticando pequenos furtos, homicídios, somente para ter um beijo mais prolongado. Nesse estagio a própria família já não existe, o Estado não é onipresente (pois não é Deus), O organismo passa a funcionar em função desse beijo, uma paixão que tira a vontade de comer , de dormir, faz esquecer os hábitos básicos de higiene, e aumenta a criminalidade na cidade, apavorando a todos.

Engana-se pensar que somente a população dos 60% da RMR que vivem em situação de pobreza fazem parte dessa paixão; segundo o Centro Brasileiro de Informações Sobre Drogas Psicotrópicas o uso da droga alcança 7% da população em Pernambuco, onde se estima que o número de usuário de CRACK no nosso Estado é de 30 mil pessoas.

As novas tecnologias sociais aplicadas na pratica pelo Terceiro Setor no atendimento direto aos usuários de crack, vem fazendo a diferença de modo peculiar, com doses de carinho e afeto onde as esferas governamentais não conseguem entender ou ajudar nessa manobra de cunho subjetivo (mundo interno). Por esses e outros motivos, essas ações vem crescendo e acrescentando diferença na nossa cidade.

Cabe ao Estado garantir a continuidade de ações que fazem a diferença, que efetivem a cidadania, que reescrevem uma nova historia junto aos pernambucanos menos favorecidos.

De que adianta tanto investimento público, se na realidade de fato, os resultados não são visíveis, o que parece é que os números são importantes para a divulgação na mídia, mas reescrever historia destes cidadãos requer pessoas comprometidas com a formação de valores humanos.

Como diria Paulo Freire, o ser humano precisa acompanhar o conhecimento, se tornar um homem de seu tempo para sobretudo, ter consciência de como aplicá-las.

Infelizmente a formação de valores está comprometida pelo desequilíbrio social, onde não se valoriza o amor pelo próximo, o respeito mútuo; enfim, onde se dá mais valor ao ter do que ao ser.

E no submundo das ruas do centro do Recife e da periferia da RMR, a vontade de roubar para ter, passa se a ser a vontade de roubar para manter a paixão sem freios por uma pedra que os leva a morte.

Talvez uma nova frase possa fazer parte do imaginário das pessoas, como foi com a frase “Não matem minhas crianças”, uma frase que possa comprometer o poder público, a sociedade, a comunidade, a família.

“Eu quero viver” foi o que eu escutei de um dependente na Praça do Mercado de São José, às 23 horas do dia 23 de junho, sujo, agachado a um entulho de lixo, abrindo sacos de restos de comida, comendo com as próprias mãos, transtornado pelo efeito de um dia de consumo do beijo que está levando o pouco de dignidade que ainda lhe resta como ser humano.

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Demetrius Demetrio é Gestor da CPP, Educador e Gastrônomo, estudante de pós-graduação em Praticas Gastronômicas na UNINASSAU

sexta-feira, 29 de junho de 2012

Artesanato e Meio Ambiente


Foto: Daniel Barros














Oficina de Arte é o momento onde vamos repensar, reutilizar e recriar com criatividade. Com a participação de crianças e adolescentes que fazer parte do projeto.

Nossa proposta é incentivar a produzir objetos com material reciclado, transformando o que as pessoas jogam fora (lixo) em objetos utilitários e decorativos.

Por exemplo: uma embalagem de leite em um jarro, um cd em um móbile e tantas idéias que temos.

A oficina proporciona um melhor desenvolvimento para os  participantes melhorando a capacidade de criar, coordenação motora, percepção e organização do pensamento.

A reciclagem é um recurso para preservação do meio ambiente. Estamos conscientizando as nossas crianças que a preservação do meio ambiente depende das atitudes de hoje.

E que através de pequenas atitudes podemos fazer grande diferença.


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Arineide Lima é Educadora na CPP

Festa de São João da CPP

A CPP comemorou o São João no dia 21 de junho, reunindo cerca de 200 pessoas entre crianças, adolescentes e jovens, bem como seus familiares. Na festa houve apresentação do grupo de teatro de bonecos, grupo de percussão, contando depois com uma quadrilha junina ao som de LUIZ GONZAGA. Não falou comidas tipicas feitas com o milho colhido do próprio sítio Clarion.

Acesse o vídeo:



segunda-feira, 25 de junho de 2012

Dependência química, subjetividade e tratamento



A Dependência Química é quando existe um relacionamento alterado entre o sujeito e a forma de utilizar as substâncias psicoativas - SPA. Ao falar de drogas consideramos os aspectos biopsicossociais, sendo o uso diversificado de acordo com a época da história e as manifestações culturais.

As variedades de ingresso ao consumo de drogas são inúmeras e entre elas estão à vulnerabilidade no qual o adolescente ou jovem se encontram, através de predominância de fatores externos, como influência dos amigos, conflitos familiares, alto afirmação, curiosidade, envolvimento familiar com algumas substâncias ou até mesmo baixa autoestima. Salientamos o fator primordial que é a cultura, que está relacionada às drogas lícitas, como álcool e cigarros, através do uso em cerimônias religiosas, aniversários e festividades, assim como a influência da mídia, através de propagandas e outros meios.

O consumo de substâncias psicoativas por adolescentes e jovens leva o dependente a ocupar grande parte de seu tempo, alterando seus relacionamentos sociais pertinentes a sua idade, muitos se ausentam de práticas educacionais, profissionalizantes, culturais, esportivas e no que se refere ao convívio familiar e comunitário.

Assim como se expõem a riscos, como: doenças sexualmente transmissíveis, através da exposição do corpo e do compartilhar de seringas ou cachimbos; violência, muitos dependentes começam furtando objetos de sua residência para venda e obtenção de drogas e expandem os roubos para comunidades, assim como através do tráfico e das dividas obtidas com traficantes; prostituição infanto juvenil, para aquisição de dinheiro para compra de drogas; gravidez indesejada, pelo sexo sem prevenção, quando muitas vezes se está sobre os efeitos de SPA; acidente de trânsito; conflito com a lei, através de brigas, tráfico e roubos até mesmo da realização de homicídios.

Contudo, ao falar de drogas precisamos levar em consideração as subjetividades, a intensidade e o significado que ela ocupa na vida do individuo. Muitas pessoas usam drogas em busca de prazer e alivio para seus sofrimentos, sendo importante, no entanto encontrar outros meios de obter prazer que substituam as drogas.

Atualmente diversos setores da sociedade discutem no país, sobre atuações e intervenções em torno do uso de álcool e drogas, principalmente do CRACK, devido ao poder de devastação e sofrimento dos usuários e seus familiares; contudo, muitas vezes com foco na substancia, não no sujeito.

Frente a essa problemática a Comunidade dos Pequenos Profetas - CPP desenvolve um trabalho de enfrentamento às drogas, através do acolhimento a jovens de 18 a 24 anos com problemáticas relacionadas à dependência. Na CPP os jovens não perdem suas referências, pois são inseridos em praticas educacionais, em cursos profissionalizante e até mesmo no mercado de trabalho, assim como podem passar finais de semana com seus familiares.

Negando o isolamento como forma de tratamento e o afastamento do individuo de seu meio social, os jovens mantem o vinculo com os familiares e a comunidade, realizando, assim um trabalho integrado. Dessa maneira não minimiza a capacidade do individuo de viver fora da instituição após passar pelo tratamento, sem lhe “amputar socialmente e psicologicamente”, pois quando se perde o elo de suas raízes, o sujeito poderá se afastar das drogas, no momento que estiver “institucionalizado”, mas logo depois poderá retornar ao uso.

Enfim, é necessário um esforço conjunto da sociedade e seus setores, impedindo separar o individuo de seu cotidiano minimizando dessa maneira o sofrimento de todos os envolvidos.

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Sandra Quadros, é Assistente Social da CPP e Especialista em Educação Inclusiva

Resgatando a dignidade do ser

A dignidade da pessoa humana - florianopolis, Santa Catarina

Podemos observar a dificuldade que existe em relação ao combate das drogas. Hoje se andarmos por bairros do Recife, vamos encontrar pessoas se drogando a todo instante, jovens idosos e até crianças. Muitas dessas pessoas até querem sair dessa vida, mas não sabem como.

Sem a ajuda do Estado e da sociedade, sozinhas elas não conseguirão, caminharão para um mundo obscuro e ficarão a margem da sociedade, que muitas vezes fecham os olhos para o problema, problema esse que pode ocorrer com qualquer um de nós ou com pessoas próximas. Qualquer pessoa pode ser vitimizada pelo problema das drogas.

Por isso temos que abrir nossos ouvidos juntamente com o Estado, para ouvir o pedido de socorro dessas pessoas e seus familiares que em sua maioria não são percebidos ou escutados.

A Comunidade dos Pequenos Profetas vem desenvolvendo um trabalho com aulas de Direitos Humanos com jovens usuários em tratamento, procurando resgatar a dignidade da pessoa humana, fazendo com que os mesmos busquem essa dignidade e lutem pelos seus direitos rompendo as barreiras do preconceito por terem entrado no mundo das drogas.

Algumas dessas pessoas não tem acesso a uma moradia digna, a uma educação de qualidade e a um atendimento de saúde humano. Com tudo o Estado e a sociedade precisam ter um total comprometimento junto à essas pessoas, para que haja uma mudança nesse quadro crítico em que se encontram os jovens no nosso Estado.

Só com esse comprometimento é que teremos a esperança de que possamos parar de perder vidas humanas diariamente, e de ver a destruição de famílias que suplicam por ajuda.

Que todos possam apoiar esse trabalho, pois esses jovens não precisam ser descriminados, até porque já são marginalizados pelo próprio sistema, eles precisam de ajuda para resgatar sua dignidade e reestruturar suas vidas. 

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Janaina Francisca da Silva é Professora e Educadora Social na CPP, cursando pós-graduação em Gestão de Projetos Sociais

quarta-feira, 20 de junho de 2012

Dica de leitura | 001


Livro:
A historia de Severino e a historia de Severina - Um ensaio de Psicologia Social      

Autor:
Antonio da Costa Ciampa

O autor num primeiro momento com o personagem Severino, através da ficção e usando um clássico de nossa literatura brasileira o famoso poema “Morte e Vida Severina” de João Cabral de Melo Neto, tenta mostrar que a construção da identidade se dá através das nossas relações sociais. Ele mostra como o indivíduo se constitui e se vê, tendo como referencial indivíduos que fazem parte do seu contexto social.

O personagem Severino se enxerga apenas mais um dentre tantos outros Severinos na mesma situação, e se sente cópia, uma reprodução dentro de uma realidade onde nada me resta a não ser legitimar essa condição de Severino, pobre, nordestino.

Num segundo momento do livro o autor nos conta através de relatos a história de Severina, uma mulher nordestina, com quase nenhum recurso financeiro, que tem uma vida muito sofrida, tentando achar sua própria identidade. Sem consciência dela e do outro na busca pela vingança dos homens que a fizeram sofrer primeiro o pai e depois o marido acaba se perdendo em meio a tantas Severinas a vingadora, a escrava, a esposa, a mãe, a louca; ao mesmo tempo não sabe quem ela realmente é.

Ao longo de nossa vida as relações sociais que estabelecemos com os outros nos define enquanto sujeitos, é preciso que tenhamos consciência da existência do outro para que tenhamos consciência de nossa própria existência.

Ciampa com esse livro nos leva a refletir sobre nossa própria identidade, nós seres humanos estamos em constante transformação vivemos sempre em movimento ele quer que pensemos nossa identidade não como algo estático e sim dinâmico, a identidade como um processo de mutação uma metamorfose o homem como um ser biopsicossocial.   

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Wilsa Carmem Ferreira é estagiária em Psicologia na CPP

sábado, 26 de maio de 2012

Direito à cidadania | 001

No dia 19 de Março de 2012 policiais agrediram e ameaçaram um grupo de moradores de rua atendidos pela CPP, no bairro de São José, em Recife. A "ação policial" aconteceu dias depois de uma matéria ser publicada no Jornal do Commercio mostrando o drama de famílias que viviam na rua e utilizavam drogas.
O fato demonstrou como o problema da dependência química é tratado de forma equivocada no Estado de Pernambuco. Pensando em discutir este problema que a CPP lança a série Direito à Cidadania , vinhetas feitas a partir de depoimentos de usuários de drogas , que ilustram o quanto a sociedade precisa mudar para que a reinserção social dos jovens dependentes químicos aconteça.


terça-feira, 24 de abril de 2012

Quem é a CPP?







CPP/Projeto Clarion - é uma organização não-governamental, sem fins lucrativos, de orientação laica, que atende crianças e adolescentes em situação de extrema vulnerabilidade social e pessoal, há mais de 20 anos, no centro do Recife, Nordeste brasileiro. Foi fundada com o apoio do então arcebispo de Olinda e Recife, Dom Hélder Câmara, conhecido nacional e internacionalmente pelo combate à pobreza e à fome.

Considerando que a Comunidade dos Pequenos Profetas foi responsável pela campanha, de grande repercussão no país, em 1992, “Não matem minhas crianças”, por espalhar, de forma silenciosa, nos muros da cidade a frase anônima que mexia com o imaginário social sobre sua autoria, tinha como objetivo de campanha chamar a atenção da população e dos poderes públicos sobre o extermínio de crianças, adolescentes e jovens em Recife. Em 2008, foi uma das 20 práticas vencedora do Prêmio Objetivos do Desenvolvimento do Milênio (ODM), entre 1.062 práticas, concedido pelo Governo Brasileiro e pela Organização das Nações Unidas (ONU). Foi eleita, também, pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) como uma das 50 melhores práticas de desenvolvimento do Brasil.

A Comunidade dos Pequenos Profetas atende mais de 400 crianças, adolescentes e jovens, de 7 a 24 anos de idade, em situação de rua, abandono, em sua quase totalidade usuários de drogas, violência, abuso sexual, sendo 60% do seu público pertencente ao sexo masculino e 40% do sexo feminino, cerca de 90% são afro-brasileiros. O público assistido pela CPP é extremamente pobre e vulnerável a todo tipo de risco social. Para se ter uma ideia, 83,3% do público atendido pela CPP está em situação de rua, 46,6% não moram com os pais, 82,1% praticam mendicância, 72,4% usam inalantes, 89% são usuários de craque, 82,8% são fumantes de cigarros industrializados, 63,3% fumam maconha, 80% são usuários de bebida alcoólica, 25% estão em situação de exploração sexual, 31% estão fora da escola. As famílias dessas crianças e adolescentes são de baixa renda, 13,3% não têm nenhuma renda e 33,3% recebem até ½ salário mínimo; 22,2% recebem Bolsa Família; tem baixa escolaridade, história de uso de droga e de violência doméstica, morando em comunidades com pouca infraestrutura urbana.

Atualmente, a CPP desenvolve projetos sociais voltados para a valorização da cultura afro-brasileira, geração de renda, resgate da cidadania, assistência integral à criança e ao adolescente, procurando incluir a família e as comunidades do público atendido no fortalecimento da autoestima e no capital social dos beneficiários, principalmente retirar os jovens e adolescentes do mundo das drogas, tendo como princípios a ética, a transparência, a solidariedade, o respeito às diferenças, dentre outros.